quarta-feira, 15 de agosto de 2012

palavras da Missionária Margarida Lemos ao ler Lc24:36-48

APPC258 - Ontem, hoje...e amanhã

Ontem, hoje...e amanhã

    

Leio o evangelho de Lucas, no capítulo 24, versos 36 a 48 e começo a divagar. Se eu fosse pintora, gostaria de colocar na tela o semblante daqueles homens tão perturbados que sem dúvida pensavam: aquele que estava diante deles era aquele mesmo que viram crucificado? Aquele sobre o qual  as mulheres disseram não mais estar no túmulo? Aquele que apareceu no caminho de Emaús aos discípulos  que acabaram de narrar o encontro? E, à proporção que eles conferiam em seus corações a amargura daquelas horas quando se sentiram sem esperança, e quando abandonando o Mestre se esconderam para juntos chorarem a solidão (pois  pensavam que o grande castelo de sonhos messiânicos se desmoronara),  ao embalo de tais pensamentos os corações se encheram de muito temor a ponto de julgarem que ali à frente estava um fantasma!

Pensem na expressão de cada um: Pedro (que o havia negado três vezes), João (que recebera o abençoado encargo de cuidar de sua preciosa mãe), Tiago, André, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago (filho de Alfeu), Tadeu e Simão, todos os onze de olhos postos em Jesus, completamente emudecidos, mãos trementes, quem sabe olhos marejados de lágrimas? Não seria um quadro tremendamente expressivo? Pois esses rostos foram se enchendo de gozo, de paz e de firmeza ao ouvirem a aula de reforço que o Mestre dos mestres lhes deu:

- "São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco..." e passou a rememorar os eventos sagrados, encerrando com a determinação: E VÓS SOIS TESTEMUNHAS DESTAS COISAS"! Testemunhas das profecias que emolduraram o Messias na história do povo de Deus desde Gênesis 3.15 passando pelos profetas, chegando a  Simeão e Ana nos átrios do Templo ao contemplarem o garoto nos braços de seus pais terrenos... Eles tinham estado  ao seu lado nas travessias do mar da Galileia, nos momentos de ensino, presenciaram curas e demonstrações de autoridade.  Acompanharam de longe o Senhor levando sobre seus ombros a cruz, na qual depois foi levantado contra o céu de Jerusalém, sofreram a cada pancada do martelo sobre  os pregos que atravessaram as mãos santas do Senhor, testemunharam de longe a dor sentida pelo baque da cruz descendo ao fundo da cova preparada pelos soldados! Parece, porém,  que não se lembraram muito da promessa da ressurreição, pois descreram das mulheres que trouxeram as boas-novas do túmulo vazio e punham em uma certa dúvida o que lhes havia sido relatado pelos que o viram no caminho de Emaús...Tudo isto foi relembrado pelo reforço didático do Mestre dos mestres.

Daria um grande quadro, não? Mesmo porque, se houvesse uma legenda, eu a colocaria assim: "Vós sois testemunhas destas coisas e eis que vos envio a promessa de meu Pai..."Isto porque, quando penso neste texto (Lucas 24.48 e 49), encontro aí uma perfeita Agenda Missionária. Vejam só:

1. Começa com um convite ao testemunho. Não é contar adiante um fato que foi presenciado. É mais que isto. É mostrando que para levar legitimamente adiante o Evangelho do Reino, seria preciso ter tido uma experiência com o Senhor da Mensagem. Seria necessário inicialmente uma conversão de vida. Uma Testemunha do Reino não pode ser comissionada se ela não está disposta a dizer como o Apóstolo das Gentes:..."porque eu estou pronto não somente a ser ligado (preso), mas ainda a morrer... pelo nome do Senhor." Estar pronto a viver ou a morrer pela Causa de Cristo faz de nosso testemunho algo revelador da Presença do Mestre em nossa vida. 

2. Além da vida entregue, é preciso ter-se conhecimento dos motivos que nos devem levar à seara. Não é por comoções acontecidas ao ouvir um bom pregador falar sobre a seara estar branca para a ceifa... Não é por acenos da solidariedade da ação social, do sofrimento daqueles que jazem nas drogas e nas permissividades do pecado... É muito mais que isto: é estar no centro da Vontade de Deus. É saber que, haja o que houver eu vou para onde Ele me levar. Não vou ao campo experimentar se dá certo ou não, porque eu sei, haja dificuldades ou não, eu estarei sempre bem! Por causa disto eu preciso conhecer muito bem tudo aquilo que diz respeito ao meu Mestre. Não posso deixar que tirem ideias erradas acerca do CAMINHO, da VERDADE e da VIDA quando tento pregar a Sua Palavra!

3. A magnitude do desafio - tudo vai continuar se vocês forem fiéis - é a perspectiva mais bela que existe, pois além de mostrar a amplitude do projeto, especifica a realidade dele: aqui perto (Jerusalém), um pouco mais adiante (Judeia) e bem longe (no estrangeiro). Se não formos - como alguém que conheço e sonhava com o campo missionário ao qual não compareceu - há nisso também a presença de Deus, e onde ficarmos ele nos vai usar plenamente. O hino diz: "Nem sempre será pro lugar que eu quiser que o Mestre me tem de mandar...". Muitos têm ficado, por instrumentalidade Divina, e se tornam bênçãos para si mesmos  e para a igreja local onde permanecem. Portanto, somos desafiados, diletos irmãos, não apenas aqui  onde nossa igreja é uma bênção para muitos,  não somente nos programas de missões estaduais ou regionais, e mesmo nacionais,  mas também desse grande mundo extra-fronteiras, onde há tanta tristeza e tanta dor! Se não somos chamados para ir aos campos, somos convocados a fazer missões em casa, na vizinhança, onde estamos. E tudo isto dentro da Vontade do Senhor de Missões.

4. Mas, ainda há algo a dizer sobre isto. Após IMPACTAR com o imperativo do testemunho sobre nossa vida, vem a sua promessa: "Sereis cheios de poder". É aí que nossa Agenda Missionária se completa: Ouvimos e aceitamos a Grande Comissão; temos prazer no estudo e no fortalecimento doutrinário e espiritual de nossas almas e mentes, estamos convictos de que o local da seara Ele nos vai esclarecer, e então O PODER nos vai energizar para a tarefa... No princípio o Senhor mandou que eles ficassem em Jerusalém até estarem prontos. Depois dali, o estar cheio de poder depende de nossa entrega, de nossa capacidade de buscar no silêncio ou no meio das multidões, o companheirismo com o Santo Espírito! 

Por isso afirmamos que metodologias novas e estratégias diversificadas são necessárias para este tempo, mas a Grande Comissão, ou seja, o IDE de Jesus continua de pé, indo até ao amanhã com a sua beleza, a enriquecer a experiência das igrejas de Cristo, dando sustância às suas atividades no contexto de um mundo triste e sem esperança. O ensino da Palavra com propriedade leva vidas a aceitarem Jesus: as pregações missionárias continuam levantando vocacionados: as entidades organizadas para operacionalizar isto, estão em campo, realizando a obra do Senhor; o poder prometido pelo Mestre continua ao nosso dispor. No Novo Testamento eram poucos os obreiros? Sim, mas o certo é que quando eles desapareceram do cenário, levados para "o seio de Abraão", todo o mundo conhecido naquele tempo tinha ouvido, de alguma forma, sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador Único e Bastante de nossas almas.

Hoje pensamos em milhares. 100 mil voluntários para sair pelos caminhos e valados, só aqui no Brasil, pregando o Evangelho que salva o homem de seus pecados hoje e o leva a um amanhã na eternidade com Deus, pelo Poder da Cruz de Cristo. Que bom que chegamos ao tempo quando isto é possível! Vamos viver este imperativo como viveram nossos primeiros irmãos na fé, em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo: com responsabilidade, em amor, em santidade, numa pregação simples e ao mesmo tempo profunda, mostrando, aonde quer que cheguemos, o caráter de Cristo!  

Eu sinto que é isto que Jesus quer que façamos hoje.

Margarida Lemos Gonçalves

Conteúdo extraído da revista A Pátria Para Cristo.


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